Götz von Berlichingen da mão ferro | Johann Wolfgang Goethe


Primeira a obra literária do Sturm und Drang e obra que lançou Goethe ao teatro, “Götz von Berlichingen da mão de ferro” retrata a tragédia de um nobre que vive a falência dos valores de heroísmo, bravura e espírito comunitário que supostamente caracterizaram a pequena nobreza do século XVI. A nova nobreza que surge é indolente, corrupta, ociosa ― ou seja, aquela que estava no poder na época de Goethe, e a qual ele retrata impiedosamente. O texto deu início à tradição de ficção histórica na Alemanha, e conta como primeiro retrato da Guerra dos Camponeses de 1525, a primeira revolta em massa declaradamente interessada em derrubar o sistema feudal.

Posfácio: “Os sentidos do drama histórico de Goethe”, por F. V. Silva.

Dados técnicos: 212 páginas
ISBN 978-65-87491-00-4
Tradução Felipe Vale da Silva
Contém uma linha do tempo relativa à vida do Gottfried von Berlichingen histórico, posfácio, 2 mapas e 5 ilustrações de época.

Onde encontrar? O livro está disponível em nossa loja e na Amazon.

Jack London | A força dos fortes

A força dos fortes foi primeiramente publicado pela editora Macmillan em 1914. O volume reúne alguns dos contos mais célebres da fase média de Jack London, incluindo suas aventuras marítimas O pagão e O lavrador do mar, dois relatos extremamente sensíveis sobre amizade, adaptação e amor, escritos na esteira dos romances de Herman Melville e Joseph Conrad.​ O segundo grupo temático presente no volume é composto por A invasão sem precedentes, O inimigo do mundo todo e o texto que batiza a coletânea, A força dos fortes. Todos são contos de ficção especulativa, isto é, partem de um grande e se isto acontecesse? para discutir possíveis desdobramentos alternativos dos eventos históricos que conhecemos. A obra que intitula o volume, A força dos fortes, é ambientada na pré-história. Um velho explica aos netos os motivos de sua antiga tribo ter sido dizimada. Eles inventaram o dinheiro, a religião e o patriotismo, desviando-se de seu objetivo primário: viver harmonicamente num ambiente hostil e repleto de predadores. Trata-se de uma alegoria muito bem elaborada da trajetória da civilização, de seu início até as vésperas da Primeira Guerra Mundial, confrontando-nos com uma realidade alternativa em que a humanidade aprende com erros que até hoje nos assolam.                    
 O terceiro grupo temático é representado por Ao sul da fenda e O sonho de Debs, obras que revelam London como porta-voz da causa socialista nos EUA do início  do século XX. Em ambas as obras encontramos importantes relatos a respeito das tensões sociais da era Theodore Roosevelt, além de exemplos paradigmáticos do ‘conto-tese’, modalidade de escrita desenvolvida por London para articular suas ideias políticas. 

Artigo Bibliografia sobre Jack London
Artigo Jack London em português
Prefácio As Mil faces de Jack London, de F. V. Silva

Ficha técnica​Título original The Strength of the Strong
Lançamento 1914 nos EUA
Gênero Conto
Período Naturalismo, pré-modernismo  
Tradução e edição Felipe Vale da Silva
Revisão Sabrine Ferreira da Costa
Ano 2017
Número de páginas 208 pp.
ISBN 978-85-94447-02-9
Formato 14 x 21 centímetros
Miolo Papel Pólen Bold
Brochura
Edição comentada. Conta com os oito contos que compõe a edição original, um prefácio do editor brasileiro, um glossário de termos náuticos utilizados por London e seis imagens.  

Harriet Ann Jacobs | Incidentes na vida de uma garota escrava

O livro conta as experiências de uma mulher que nasceu na escravidão em Edenton/Carolina do Norte e fugiu para o Norte já adulta. Tendo sido considerado, por mais de um século, artifício de uma abolicionista branca para defender a causa abolicionista, a obra-prima de Jacobs teve sua autenticidade provada somente nos anos 1980 por esforços da pesquisa Jean Fagan Yellin e agora recebe sua segunda tradução brasileira (e primeira edição crítica). O livro contém, além da tradução inédita por Felipe Vale da Silva, notas explicativas, uma linha do tempo da vida de Jacobs e um extenso glossário explicando conceitos centrais do texto.

Posfácio do livro: Esclarecimento de termos, categorias e conceitos centrais na obra (Apêndice da edição brasileira de 2018), por F. V. Silva
Resenha de Juliana Cunha. “Raro diário de uma americana escravizada ganha ótimas versões no Brasil”. O Globo. 13.fev.2020. | Link direto | Mirror |

Frederick Douglass | Madison Washington: o escravo heroico

Texto de orelha:

 Quando escreveu este livro, Frederick Douglass já havia publicado a narrativa de seus anos de escravidão, ganhando fama do orador abolicionista mais brilhante dos Estados Unidos. Após repetir sua história noite após noite em palestras por todo o país, julgou ter ainda algo a mais a oferecer. Era preciso discutir não só o passado e sofrimento do escravo, mas também as possibilidades de uma revolta futura e implacável. 

Assim retoma, em O Escravo Heroico, um evento histórico bastante conhecido em sua época, o motim no navio negreiro Creole, arquitetado pelo cozinheiro Madison Washington. Nele são discutidas diversas atitudes de abolicionistas brancos perante o futuro dos negros, o racismo no Sul, além de o primeiro tratamento extenso, em formato de livro, da legitimidade da violência revolucionária contra um governo corrompido. 

O texto foi tão polêmico que, até hoje, continua sendo estudado apenas por especialistas. Após sua edição original na coletânea Autographs for Freedom, de 1852, ele ficou praticamente esquecido até sua primeira reimpressão em 1975! Mais de um século e meio após seu lançamento, ganha esta versão para o português brasileiro.”

Lançamentos de literatura afroamericana em 2019


Posfácio Por que ler Frederick Douglass? Versão preliminar, por F. V. Silva

Detalhes técnicos: 108 páginas | brochura | traduzido por Felipe Vale da Silva @2019

Harriet E. Wilson | Our Nig: quadros da vida de uma negra livre

Texto de quarta capa:

“Em todas as narrativas de escravidão, o Norte é retratado como uma terra mágica, como a promessa da liberdade. Our Nig não oferece uma tal promessa; [a protagonista] Frado nem possui a possibilidade real de levar uma vida feliz e livre, nem ao menos a esperança de uma morte de mártir. Ela é vítima das sombras da escravidão — de um racismo que, no Norte, tem apenas uma aparência mais sutil.  (Eric Gardner)

Our Nig liga com os temas complexos raça e racismo de modos que podem, muito bem, ter ameaçado o establishment abolicionista, enquanto A Cabana do Pai Tomás o alimentava […] O movimento abolicionista dos brancos aconselhava que negros emulasse o nobre sofredor Pai Tomás […] Mas o livro não é estritamente uma ‘obra de ficção negra’; ele é, antes, um romance densamente cristão, um romance do abolicionismo branco” (Cynthia Davis) — Our Nig, como o primeiro romance escrito por uma mulher negra nos Estados Unidos da América, faz contraponto a tudo o que fora escrito até então.

Posfácio Harriet E. Wilson: sua presença indesejada no abolicionismo ianque e seu legado (versão preliminar), por F. V. Silva

Lançamento de literatura afroamericana em 2019

Dados técnicos: 140 páginas | brochura | Tradução: Gabriela Miani

George Seldes | Fatos e fascismo

Fatos & Fascismo (1943) se propõe como um livro sobre os bastidores do mercado financeiro nos anos de ascensão dos fascismos prévios à Segunda Guerra Mundial. Mas vai muito além. George Seldes conduz sua narrativa com conhecimento de causa e o melhor espírito analítico, pondo em xeque não somente a ética dos grandes negócios, mas também revelando a conivência da mídia perante a barbárie de governos extremistas. O livro foi pioneiro ao expor como New York Times, Reader’s Digest e outros grandes veículos midiáticos encobriram deliberadamente informações cruciais sobre o avanço e perigos do fascismo de 1930 a 1940. Um grande precursor para estudos críticos da mídia de Noam Chomsky, I. F. Stone e Edward Snowden.

Prévia dos dois primeiros capítulos | Fatos e Fascismo (1943)
Posfácio George Seldes na era das fake news, de F. V. Silva

Lançamento conjunto com a editora Peleja
Número de páginas: 128 pp.

Lorenz Flammenberg | O Necromante

Inspirado pela publicação do romance “O Aparicionista” (1787-1789), de Friedrich Schiller, o prussiano Lorenz Flammenberg (pseudônimo de Karl Friedrich Kahlert) se tornou uma das peças centrais da consolidação do romance gótico alemão com “O Necromante” (1792), espécie de resposta literária aos relatos de invocadores de fantasmas e de quadrilhas armadas que infestavam a Floresta Negra. Traduzida na Inglaterra, a obra foi incluída por Jane Austen na célebre lista de “romances hórridos” recomendados por uma personagem de “Northanger Abbey” e é o primeiro deles a ser lançado em língua portuguesa.

Friedrich Hebbel | Maria Madalena

Friedrich Hebbel é um dos poucos dramaturgos de peso do realismo alemão. Ao invés de encontrar suas raízes no estilo de seu tempo, voltou-se ao teatro de Lessing, Schiller e Kleist para criar a primeira tragédia social do país, Maria Madalena. Sendo um criador e não um imitador, ele soube unir técnicas dramatúrgicas mais antigas às urgências de sua época: a peça foi concebida em 1844, ano em que Søren Kierkegaard publicava Sobre o conceito de angústia e, do outro lado do espectro, Marx escrevia seus Manuscritos econômico-filosóficos. Trata-se de época de ebulição, de revolta e descontentamento com os valores familiares e burgueses que, se cinquenta anos antes haviam sido motores de uma revolução social bem-sucedida, agora se revertiam em agentes do atraso. Alguns desses valores constituem o tema central da peça em questão.    Hebbel gostava de falar do período em que viveu como uma era ‘travada’ da dialética histórica, em que ninguém aprende com seus erros e, por falta de espírito analítico, a humanidade para de seguir em frente. A tragédia pessoal da protagonista Klara segue justamente essa dinâmica; ela é a moça pobre e virtuosa, o orgulho da família que se vê numa situação irreconciliável com os valores da sociedade alemã de 1840, e coagida a uma resolução irracional.
Representar uma saída razoável seria falsificar a história, e é aqui que encontramos o aspecto realista da dramaturgia do autor. O teatro se reverte em um veículo dos impasses sociais, os quais por sua vez são expostos em estado congelado. Hebbel tinha uma visão bastante utilitária do teatro: a história de vida de Klara revela aos espectadores uma ideia libertadora. Seria possível salvar tanto a ideia quanto a heroína nesse universo dramático? Seja como for, não constitui um paradoxo, mas uma constante na história humana: grandes mulheres e homens são geralmente mártires de suas motivações.

Artigo Notas sobre a tragédia burguesa

Ficha técnica
Título original Maria Magdalene (1844)
Estreia 13.03.1846 em Königsberg, Prússia
Gênero Tragédia burguesa
Período Realismo burguês  
Tradução e edição Felipe Vale da Silva
Revisão Sabrine Ferreira da Costa
Ano 2017
Número de páginas 132 pp.
ISBN 978-85-94447-00-5
Formato 16 x 23 centímetros
Miolo Papel Pólen Bold
Brochura
Edição crítica. Conta com o apêndice O jovem marinheiro, o prefácio original do autor, além de comentários e um ensaio final assinado pelo tradutor: A tradição alternativa do drama alemão Do Sturm und Drang a Friedrich Hebbel​

Friedrich Hebbel | Prosa de ficção completa

As narrativas presentes nesta coletânea são fruto de uma mente extremamente criativa, tanto para a sátira, quanto para a mais nefasta tragédia, e que deixou sua paixão pelo teatro penetrar sua produção de contos. Essa linha tênue entre a irreverência e a desgraça resulta de uma espécie de filosofia existencial, a qual críticos posteriores encontraram no conjunto das obras de Hebbel, chamando-a de doutrina do Pantragismo: o autor tinha a convicção de que “tragédia e comédia brotam de uma e mesma raiz, de forma que a primeira não pode atingir sua forma plena de modo algum se a última for deixada para trás”. Em termos práticos, se no conto A Vaca, uma só ocorrência muda toda a sorte de uma família em vias de se tornar próspera, terminando por desgraçar a todos, em outro conto como O Senhor Haidvogel e sua família, a sorte salva o dia dos desafortunados. É como se Hebbel construísse um universo literário em que os dados estão continuamente rolando, e a fortuna ou a desventura são o resultado de um cosmos indiferente às ânsias individuais, que dá ou tira a felicidade da débil raça humana com a mesma facilidade.

Ficha técnica
Tradução Felipe Vale da Silva
Tamanho: 360 páginas
Título original: Erzählungen und Novellen (dentro das Obras completas)
Extra: Este livro ganhou prêmio de melhor tradução do alemão pela ABEG (Associação Brasileira de Estudos Germanísticos, Niterói, 2018)


O volume conta com 24 contos, novelas e rascunhos.
Conteúdo:

Sumário {Prefácios não-publicados}
I Contos publicados em “Contos e Novelas”, 1855
Anna
A noite mais estranha de Paul
A vaca
Matteo
O senhor Haidvogel e sua família
O mestre-alfaiate Nepomuk Schlägel sai à caça
Uma noite na casa do caçador

II Contos de Fada (publicados entre 1835 e 1843)
As crianças solitárias
O rubi. Um conto de fadas

III Demais textos publicados em periódicos (1830 a 1851)
Holion
O fratricídio
O pintor
A noiva bandoleira
Barbeiro Tremelique
A esposa do diretor do Conselho de Medicina
Uma noite em Estrasburgo
Os dois vagabundos
Schnock. Um retrato holandês
Um sofrimento de nossa época

IV Relatos autobiográficos
Notas sobre a minha vida. Minha infância

V Juvenília, prosa anonimamente publicada (1829 a 1830)
O sonho
O sonho de Atenor
Os dois sonhos
O sonho do ancião


Johann Wolfgang von Goethe | O Grande Cophta

Esta é uma peça sobre o declínio de uma era — uma era que termina com a revolução que se tornou modelo para todas as posteriores, que termina com a humilhante execução em praça pública de dois dos monarcas mais poderosos do mundo, Luís XVI e Maria Antonieta. Em nove obras escritas entre 1791 e 1803, Goethe lidou com as origens e desdobramentos da Revolução Francesa, evento que pôde observar de perto e registrar em uma série de textos que agora se tornam disponíveis para o público leitor de língua portuguesa.​

Neste volume de estreia, a Revolução Francesa é tratada de forma bastante indireta. O Grande Cophta e sua versão anterior, O Cophta, são antes comédias sobre a pré-história do evento, retratando a corte de Versalhes prestes a ser abalada por um escândalo envolvendo o cardeal de Rohan e, supostamente, a própria rainha da França. Aqui, a autoridade real é ausente; o vácuo de poder que se instala permite que usurpadores e charlatões vivam de suas mentiras e controlem os mais inocentes, com o único fim de saciarem seus desejos por fama e riquezas.

O tema do charlatanismo foi particularmente caro a Goethe: durante sua estadia na Itália, os jornais transbordavam relatos sobre místicos e bruxos subsidiados pela alta nobreza. O Conde di Cagliostro, homem que jurava poder purificar diamantes e não envelhecer, parece ter exercido particular fascínio sobre o autor. Em Nápoles, Goethe visitou a família do suposto imortal, descobrindo não ser de aristocratas, mas de artesãos empobrecidos.

Como Cagliostro chegou onde estava, compartilhando mesas de banquetes com os donos do poder? — esta era a grande questão a ser respondida e que ecoa nas páginas da comédia em questão. O fato de um tal indivíduo ser levado a sério em uma época de Esclarecimento só podia ser indício de que algo muito errado estava acontecendo, algo que, historicamente, só uma revolução foi capaz de resolver.

Artigo Sobre o Escândalo do Colar de 1785
Artigo Cagliostro na mídia

Posfácio Sobre a facilidade de enganar e ser enganado: bruxaria e intriga no drama de Goethe (1787-1791) de F. V. Silva

Ficha técnica
Edição crítica da peça de 1791. Conta com os apêndices O Cophta, arranjado como ópera (1789) e Canções cópticas (1790), comentários e um ensaio final assinado pelo tradutor: Sobre a facilidade de enganar e ser enganado. Bruxaria e intriga no drama de Goethe