Johann Wolfgang von Goethe | O Grande Cophta

Esta é uma peça sobre o declínio de uma era — uma era que termina com a revolução que se tornou modelo para todas as posteriores, que termina com a humilhante execução em praça pública de dois dos monarcas mais poderosos do mundo, Luís XVI e Maria Antonieta. Em nove obras escritas entre 1791 e 1803, Goethe lidou com as origens e desdobramentos da Revolução Francesa, evento que pôde observar de perto e registrar em uma série de textos que agora se tornam disponíveis para o público leitor de língua portuguesa.​

Neste volume de estreia, a Revolução Francesa é tratada de forma bastante indireta. O Grande Cophta e sua versão anterior, O Cophta, são antes comédias sobre a pré-história do evento, retratando a corte de Versalhes prestes a ser abalada por um escândalo envolvendo o cardeal de Rohan e, supostamente, a própria rainha da França. Aqui, a autoridade real é ausente; o vácuo de poder que se instala permite que usurpadores e charlatões vivam de suas mentiras e controlem os mais inocentes, com o único fim de saciarem seus desejos por fama e riquezas.

O tema do charlatanismo foi particularmente caro a Goethe: durante sua estadia na Itália, os jornais transbordavam relatos sobre místicos e bruxos subsidiados pela alta nobreza. O Conde di Cagliostro, homem que jurava poder purificar diamantes e não envelhecer, parece ter exercido particular fascínio sobre o autor. Em Nápoles, Goethe visitou a família do suposto imortal, descobrindo não ser de aristocratas, mas de artesãos empobrecidos.

Como Cagliostro chegou onde estava, compartilhando mesas de banquetes com os donos do poder? — esta era a grande questão a ser respondida e que ecoa nas páginas da comédia em questão. O fato de um tal indivíduo ser levado a sério em uma época de Esclarecimento só podia ser indício de que algo muito errado estava acontecendo, algo que, historicamente, só uma revolução foi capaz de resolver.

Artigo Sobre o Escândalo do Colar de 1785
Artigo Cagliostro na mídia

Posfácio Sobre a facilidade de enganar e ser enganado: bruxaria e intriga no drama de Goethe (1787-1791) de F. V. Silva

Ficha técnica
Edição crítica da peça de 1791. Conta com os apêndices O Cophta, arranjado como ópera (1789) e Canções cópticas (1790), comentários e um ensaio final assinado pelo tradutor: Sobre a facilidade de enganar e ser enganado. Bruxaria e intriga no drama de Goethe

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