Literatura universal em traduções inéditas e anotadas
LOJA VIRTUAL
Aetia Editorial

15.11.2017

Bibliografia sobre vida e obra de Jack London

Aproveitando o lançamento de A Força dos Fortes (1914), segue um levantamento bibliográfico sobre o autor.
  • Alex Kershaw. Jack London. Uma vida. Benvirá, 2013.

Boa introdução à vida de London e a maior disponível em português. Contém descrições breves de suas principais obras e personagens mais icônicos. Kershaw é um escritor bastante prolífico, autor de diversos livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Mesmo sendo jornalista de profissão, sua análise de London é algo parcial. Muitos aspectos da vida do autor são comentados com atitude distanciada, objetiva (a questão de seu suicídio, seu vício em narcóticos e alcoolismo, sua relação com mulheres), mas outros se aproveitam de lugares-comuns da crítica sem muita reflexão profunda (o socialismo de London é lido como desponte de uma irreverência perante autoridades, algo esperável em um garoto que foi abandonado pelos pais; London é retratado como fruto de sua época no que diz respeito a suas opiniões sobre não-brancos, alguém que não teve nada de muito útil a dizer sobre o racismo norte-americano). Não é um livro para alguém interessado nos estudos literários, mas é um estudo de leitura fácil sobre Jack London como personalidade pública e fenômeno de mídia.
  

Contém uma introdução de mais de 50 páginas (metade delas disponível no GoogleBooks) sobre o envolvimento de London com as principais forças políticas atuantes em sua época. O início do texto revela muito o que vem adiante: “É irônico que London terminou sendo lembrado como um autor de estórias de cachorros. No auge de sua notória carreira como um radical, editores de jornais americanos exigiram sua prisão e deportação”.

Jonah Raskin é um dos grandes intelectuais independentes vivos, alguém com muito a dizer sobre os beatniks, a Renascença do Harlem e a tão ignorada literatura proletária dos Estados Unidos. Sua antologia dos textos esquecidos de London é uma reação declarada à Jack London Foundation, que, em sua opinião, mais se parece com uma Máfia Jack London, “que protege uma certa imagem do autor e quer ter essa visão higienizada: ele era um grande homem; ele era uma história de sucesso americana; ele escreveu estórias sobre cães; amava sua esposa; eles viveram felizes para sempre; ele morreu de causas naturais. Esta é a história que você ainda ouve das pessoas do círculo interno da Máfia Jack London” ( entrevista para a FORA.tv, 29/05/2008).

O livro é dividido em cinco momento distintos do crescimento político de London, cobrindo sua candidatura para a prefeitura de Oakland pelo Partido Socialista, envolvimento com Eugene Debs, com o então presidente Theodor Roosevelt, além da paradoxal admiração mútua por Karl Marx e pelos darwinistas sociais.

Raskin mantém um site onde disponibiliza gratuitamente ensaios, entrevistas e material em vídeo sobre seus livros.
Outras entrevistas:  Para a TalkingstickTV, março/2009.

  • A greve. Editora Pão e Rosas. Tradução Mônica Olveira Giovannetti, posfácio Alexandre Linares e João Carlos Ribeiro Junior, 2003.

Tradução do conto The Dream of Debs concluído por um posfácio extenso e bem escrito que, como no livro de Raskin, traz reflexões interessantes sobre o lado radical de London. Disponibilizado gratuitamente pela editora neste link.

  • Cecelia Tichi. Jack London: A Writer's Fight for a Better America. The University of North Carolina Press, 2015.

Cecelia Tichi lê a obra de London com base em seu extenso conhecimento sobre a vida das pessoas comuns na chamada Gilded Age, a era em que os grandes capitalistas americanos ganhavam seus primeiros milhões, enquanto uma nova classe de trabalhadores pauperizados surgia. Umas das várias virtudes do livro reside em sua análise profunda dos ambientes pelos quais London transitou e dos quais retirou material para sua literatura (prisões, trens de carga, conveses de navios, fábricas imundas), ressaltando London como defensor de diversas causas progressivas da época. O livro pode ser lido como complemento de dois outros volumes da autora sobre a tradição progressiva estadunidense que se forma durante a Gilded Age:

  • Civic Passions: Seven Who Launched Progressive America (and What They Teach Us), 2009.
  • The Gilded Age and Progressive Era: A Historical Exploration of Literature, 2016.
  • Ver também palestra de Tichi disponível no canal da Claremont Graduate University. Jack London: The Tough, the Tender, and the Captain (of Industry), 2009.

  • Jack London: The comic book collection, 2017.
Caixa de graphic novels baseadas em três contos de London (Chinago, Koolau, the leper, A piece of steak): clique aqui.

Jeanne Campbell Reesman
  • Jack London: Photographer. Editado por Jeanne Campbell Reesman. University of Georgia Press, 2010.
  • Jack London's Racial Lives: A Critical Biography. University of Georgia Press, 2011.
  • Jack London: A Study of the Short Fiction. Twayne Publishers, 1999.

Ressman é um dos grandes nomes da fortuna crítica do autor, e se foca sobretudo em sua experiência com o estrangeiro. Racial Lives é uma leitura esclarecedora não apenas sobre as políticas raciais atuantes nos EUA em meados de 1900, mas também sobre as relações pessoais de London com afro-americanos e asiáticos, de sua infância numa São Francisco extremamente racista até sua idade adulta vivendo na Polinésia.

O volume Jack London: Photographer conta de sua cobertura jornalística na Guerra Russo-Japonesa (1904-05) e vida em meio de populações polinésias e do Havaí. Clique aqui para mais informações.