Literatura alemã contemporânea |adaptações para o cinema

Uma lista (não-exaustiva) de recomendações de filmes baseados na obra de autoras e autores recentes. Os links levam aos trailers dos filmes, não a suas versões integrais. Por se tratarem de filmes recentes, a maioria pode ser encontrada facilmente em DVD ou na internet


Daniel Kehlmann – Die Vermessung der Welt (filme de 2011)
Fica em primeiro lugar na lista por se tratar de um dos grandes retratos da vida comum de gênios do século 18/19, o matemático Gauß e o geógrafo Alexander von Humboldt. Kehlmann foi um apaixonado por historiografia e é muito criterioso no retrato de figuras do passado: nem por isso deixa de criar um espaço para o humor no que diz respeito aos hábitos daquela gente que, para nós, soam obsoletos (como os pudores excessivos de Humboldt, o resquício de religiosidade mística mesmo em homens de ciência oitocentistas).
Daniel Kehlmann – Ich und Kaminski (2015)
Baseado em outro ótimo livro de Kehlmann, é repleto de personagens desagradáveis: um jornalista de quem ninguém gosta, Sebastian Zöllner, e um grande mestre da pintura, (ficcional), o polonês Manuel Kaminski, que frequentou a cena artística parisiense com Picasso, Matisse, mas depois ficou cego e tornou-se um homem amargo. No final da vida deste, termina preso ao jornalista que quer tirar o máximo de informações sobre sua vida para escrever uma obra biográfica da qual ele não tem nenhum interesse.
Siegfried Lenz – Schweigeminute (2016)
A história de amor mais casta de todos os tempos, que só poderia ter sido escrita por um homem de 70 anos (segundo Reich-Ranicki). O livro é belíssimo, uma obra de final de vida de Lenz sobre o amor entre um rapaz recém saído da adolescência e uma professora bem mais velha.
Judith Hermann – Nichts als Gespenster (2007)
Baseado no livro de contos de Hermann, tudo se desenvolve no clima blasé/niilista de sua literatura. A Hermann tem um talento de recriar situações insólitas que, anteriormente, na literatura alemã, faziam parte do gênero sobrenatural e gótico, valendo-se exclusivamente da banalidade da vida comum. É como se dissesse: ‘não precisamos de fantasmas para viver o horror’. Destaque para as historietas sobre alemães na Itália.
Wolfgang Herrndorf – Tschick (2016)
História sobre deliquência juvenil, imigração, amizade em tempos de niilismo. Desenvolve-se como um road movie tradicional. Talvez seja o filme mais descontraído da lista. Já o filme abaixo, é um poço de lágrimas.
Bernhard Schlink. Der Vorleser (2008)
Não é dos meus preferidos, conta sobre um amor proibido durante o Terceiro Reich. Mas como foi um dos grandes sucessos de bilheteria da época, ganhou Oscar e chegou a ser traduzido por aqui pela Record (e em Portugal pelas Edições Asa), vai para a lista.

Lançamentos futuros:
O romance ‘esquecido’ de Siegfried Lenz, Der Überläufer, ganhará uma adaptação cinematográfica (previsão para 2021)

Extra:
Aqui se trata de um livro dos anos 40, Jeder stirbt für sich allein do autor da Neue Sachlichkeit Hans Fallada. Mas a adaptação ficou tão bem feita que resolvemos incluir na lista. Fallada trata de uma faceta da resistência da gente comum contra o nazismo; ele voltou a ser mencionado por ter entrado em domínio público este ano (algumas editoras brasileiras começaram a verter suas obras para o português também, finalmente). O filme recomendado é Alone in Berlin, uma adaptação de 2017.